quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Hai Kai

não fale
me veja
me leia
o corpo em braille

domingo, 26 de outubro de 2008

Marítimo

Para Márcia Luciana


Do mar tens a força, o azul, a beleza,
O mistério e a paz esquecida...
Do mar trago os meus versos desenhados
Nas areias mornas que te guardam.

Do mar tens o nome,
Do mar tens a alma
e o verde das matas atlânticas ao redor.

Do mar tens as gotas que se unem
E se constroem em teus olhos líquidos
Praias desertas horizontais e calmas...

Mar imenso e silencioso
Onde o teu nome pousa delicadamente,
Quando as ondas beijam uma ilha inquieta
E devolves a paz
E a vida faz-se Sol.

Maya do Rio.

25.10.2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eu e a Poesia

E quando ela me olha eu fecho os olhos.
É quando ela me vê e eu vôo em paz.


Maya do Rio.

23.10.2008

domingo, 28 de setembro de 2008

Quase um Hai-Cai

quando dormires
ao vento
no segundo após o uivo
sonharás com a minha palavra

sou o ponto
de um dardo
em seu mapa

She

Ela conhecia a inquietação
Amava todas as diferenças
Dois gatos cruzando a mesma rua
Indiferentes ao confronto que viria
Quase dançava, quase escrevia
Atrás de uma janela cantava
Para o fino pó descoberto pelo sol
Estranha coreografia
Ela conhecia a inquietação
O passar das horas
Os reflexos nas vidraças
E o fim do dia.

domingo, 13 de abril de 2008

De noite

À noite, neste espaço entre as casas baixas,
Juntam-se os três fantasmas, o do que foi, o do esteve a ser,
o do poderia ter sido, não falam, olham-se como se olham cegos,
e calam...

Maya.

sábado, 5 de abril de 2008

Como vinho e como pêssego

Você é uma mistura arrebatadora de vinho tinto,
Dor e pele de pêssego.

Sabor de pêssego.
Textura e comoção de um pêssego
Na lâmina espelhada ou na boca vermelha.

Você sou eu de uma maneira temível,falível,factível
Porque me invade até a medula
(para além da medula e para aquém do altíssimo.)

Desde o que nos toca ao que nos faz sentido,
Desde os outros a nós mesmas.

Ainda assim,eu queria,ainda mais
Ter você,apesar dos rios assustadoramente profundos
Que se encravam em tuas passagens.


Maya.

04.04.2008.....................02:15

terça-feira, 25 de março de 2008

Do desejo II

Imagino como seria te amar
Teria o gosto estranho das palavras que brincamos
E a seriedade de quando esquecemos(...)

Maya.

domingo, 23 de março de 2008

Do vazio

Despojada do que já não há
Solta no vazio do que ainda não veio,
Minha boca cantará
Cantos de alívio pelo que se foi,
Cantos de espera pelo que há de vir.

Maya.

sábado, 22 de março de 2008

Do tempo

O passo não é mais tenso
O que penso tem esse traço
Me desfaço e sei que tento
Passa o tempo e me refaço.

Maya.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Da memória

Guardo na memória da alma o sorriso e o sentimento de doçura e paz
que apenas quem se aproxima daquela mulher pode saber o gosto exato.

Eduardo Galeano.









quarta-feira, 12 de março de 2008

Do mundo

Vago pelo mundo
Parindo letras e gemidos.

O universo não hospeda
Minhas dúvidas
Então

Multiplico-me.


Maya.

sábado, 8 de março de 2008

Dos Quereres

Abri curiosa o céu.
Assim,afastando de leve as cortinas.

Eu queria entrar,
Pé ante pé,
Inteira,
Ou pelo menos mover-me um pouco,
Com aquela parcimônia que caracterizava
As agitações me chamando.

Eu queria até mesmo saber ver,
E num movimento redondo como as ondas
Que me circundavam, invisíveis,
Abraçar com as retinas cada pedacinho da tua matéria viva.

Maya.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Do mar

Um mar de sentimentos

Desejos à deriva
Que se instalam nos meus sonhos.

Deslizo os dedos no papel
Como se te desenhasse o corpo...
E no meu sussurro,
Teus lábios a calar-me:

Um beijo.

Maya.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Ad infinitum

E quando os versos começam a se apresentar em fragmentos,
Pedaços que compõem o quadro da minha vida...
Um mundo de infinitas possibilidades e uma cruel consciência de mim.

Quando a lua dança nos meus versos...

Quando abro as janelas e vejo as cores que não via...
Creio que foi o sorriso.

Maya.

De Mim

Ela já é muito diferente do que você esperava.
É só o jeito dela: sorriso de paz, olhos de guerra.
Sentimentos em carne viva, mais de mil palavras atropeladas,
Alguns medos entre os dedos.

São tantas as palavras e ironicamente,
Nenhuma que caiba todo esse meu sentir.

Maya.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A palavra seda

A atmosfera que te envolve
Atinge tais atmosferas,
Que transforma muita coisa
Que te concernem e te cercam(...)

João Cabral de Melo Neto.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Da chuva...13.01.2008

Chove em mim:
Todas as cores do mundo,misturada com todos os prazeres
E quereres.
Chove em mim:
Um enxurrada de emoções,um misto de fúria e loucura.
Lua nova entra hoje e eu saio pela outra porta,
Vou pra longe.
Não quero ser mudada.

Ela vem nova e eu nada.
Ela chove, e eu seco.

Renovo nada,dona lua...
Continuo na chuva,nua, louca, rouca.

Sou teimosa, sou do contra.
Pode vir molhada que eu te bebo e não sobra nada.

Chove forte em mim,chove tua fúria nos meus poros,
Me afogue com tua vontade de não ser nada, apenas de tocar em mim.

Escorre silenciosamente assim.
Percorre meus caminhos antes de chegar ao fim.
Antes que meu calor te evapore,me prove.
Entra em mim.

Maya.

Amado

Como pode ser gostar de alguém e esse tal alguém não ser seu
fico desejando nós gastando o mar
pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus para esquecer
mas só de pedir me lembro
Minha linda flor,meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
sempre que estou indo volto atrás


Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa o tempo sem você
mas pode sim
ser sim amado
e tudo acontecer

Sinto absoluto dom de existir,não há solidão, nem pena
nessa doação milagres de amor
sinto uma extensão divina

É tanta graça,lá fora passa o tempo sem você
mas pode sim
ser sim amado
e tudo acontecer

Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você...

Vanessa da Mata


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Clariceando...

Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas - porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou - apesar de tudo oh apesar de tudo - estou sendo alegre neste instante-já que passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E a minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: a alegria do it. E conformar-me não como vencida mas num allegro com brio.

Do silêncio

Silêncio.
Olhos bem abertos como os de uma águia
Corpo todo em perfeito estado de percepção...

Silêncio.
É hora de se preparar para a entrega
Com a alma carregando uma enorme bagagem
E o desejo de ir mais além...

Silêncio.
Uma nova vida renasce...

Maya.

Poema XVII - Pablo Neruda

Não te amo como se fosses rosa de sal,topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo,
te amo como se amam certas coisas obscuras,secretamente,
entre a sombra e a alma.

Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo diretamente sem problema nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha,
tão perto que se cerram teus olhos com meu sono.

Pablo Neruda

domingo, 6 de janeiro de 2008

Do desejo

Ela veio fantasia,com as mãos cheias de carinho,e tocou com a voz,com as letras meu corpo inteiro,passou muitas mãos pelas minhas costas e me mordeu o pescoço,as costas,doía,dor boa,arrepiando braços e pernas,cada pêlo da minha pele alerta,e nos enroscamos,me amarrou com o cobertor da sua pele e cedi impotente,à mercê do que viesse.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Hai-Kai

um corpo
me habita

quente aguardente
fogueira infinita.

Maya.